quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O Mundo a Exibir-se

  Hoje escrevo sobre ti. Perdoa-me se o fizer de forma tosca e desajeitada, mas acho que nunca ensinei ao meu coração palavras para além das de bebé e ultimamente não o tenho deixado treinar.

  Fosse por falta de inspiração ou por simplesmente me querer concentrar nas tuas palavras e nos momentos contigo, hoje encontro de novo a inspiração, que de uma maneira ou de outra, sempre me deste. Podes perguntar ou adivinhar o porquê de hoje. O porquê de agora, e responder-te-ei da forma mais simples e certa que encontrar: porque te amo! Porque por entre as nossas conversas me fizeste lembrar que, embora não me tenha esquecido de tudo o que vejo em ti, me esqueci de como to dizer. De como abrir o coração bem aberto e mostrar-te tudo o que me fazes sentir.

  Por isso hoje volto às origens. Por isso hoje falo de ti como te sinto, da maneira mais crua e sincera que este meu ser trapalhão e desajeitado me permite.

  Neste momento dormes e não consigo deixar de te imaginar. De imaginar os teus olhos fechados levemente, os teus lábios premidos um contra o outro, o teu corpo pousado sobre a cama, com curvas bem acentuadas e bonitas como são as que tens e mãos semi-abertas como se esperassem pelas minhas. E enquanto te oiço a respiração e fecho os olhos, não consigo deixar de me imaginar a dar-tas e de sentir esta vontade esmagadora de acordar ao teu lado todas as manhãs da minha vida. De encostar o ouvido o teu peito e deixar a música do teu coração trancar-me de novo os olhos e levar-me a passear contigo em sonhos. Sonhos esses que dou por mim a desejar serem reais. Sonhos em que te levo a passear com os dedos entrelaçados nos teus e mostro ao mundo a mulher que quero para mim. A mulher que quero para o meu sempre. Para o nosso sempre.

  Sonhos que espero um dia serem reais para poder mostrar ao mundo do que falo sempre que me gabar de ter a mulher mais bonita do mundo ao meu lado.

  Chama-me exagerado, meu amor. Chama-me meio ou completamente parvo se achares que se aplica, fantasista ou qualquer outra coisa que te saia juntamente com um sorriso, mas dou por mim a pensar que antes de nasceres todos os deuses que há no mundo se reuniram e decidiram criar a mulher perfeita. E dessa decisão nasceste tu.

  Pergunto-te: como não haveria de pensar isso? Tens um sorriso que quando se abre confundo com um segundo sol.

  Tens esse teu queixo, que a toda a hora me dá vontade de agarrar e trazer para mim todo esse teu rosto de formas perfeitas de que não me quero nunca desabituar.

  Tens olhos suaves, de formas amendoadas lindas, que ainda mais o são quando as fazes mais rasgadas, ao soltares um sorriso ou um riso dos teus, que nunca deixaram e nunca deixarão de me derreter por completo. Esses teus olhos que se adaptam a cada uma das tuas expressões e aos quais não resisto quando me fazes o beicinho tão teu.

  Tens um cabelo que adoro pentear e acariciar e o melhor? É tão, mas tão teu. É tudo tão, mas tão teu e a vontade que tenho é de pousar as mãos nos teus maxilares, encostar a testa à tua e mergulhar num dos beijos que dás com tanta vergonha e que, ao mesmo tempo, te tornam tão perfeita pelo sabor especial. Pelo sabor a certo.

  Depois disso não me culpes se não resistir à tentação de te passar as mão pelo corpo. De sentir todas as tuas curvas e vales e beijar-te todos - TODOS - os milímetros do teu corpo. É o teu corpo e eu apaixonei-me completa e perdidamente por ele. És a mulher que és, e eu apaixonei-me completa e perdidamente por ti.

  Não é para me gabar ou ser arrogante, meu amor, mas às vezes dou por mim a pensar que os deuses de que falei se estavam a exibir quando decidiram que serias a próxima a nascer.

                                    Amo-te com tudo o que tenho.
                                              Do teu e só teu,
                                                         Francisco, bicho feio, **** amestrado  e ainda idiota.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Porquê De Para Mim Assim o Seres

  Hoje é uma noite em claro. Uma noite em que não prego olho ao pensar em tudo. Todos os pormenores do teu rosto, todos os pequenos sorrisos e beijos que soltas quando entramos nos nossos pedacinhos. Todas as conversas e todos os recantos do teu ser. Do nosso ser.

  Tinha saudades de escrever para ti - de escrever sobre ti. De soltar tudo o que cá vai dentro. Tudo o que me faz sorrir e estremecer enquanto te vejo e me passa pelo pensamento a vontade de, um dia, me ajoelhar perante ti.

  De vez em quando perguntas-me o porquê. O porquê de te chamar especial e de te ver diferente, e cada vez que tento explicar deixo que saibas um motivo diferente. Baralho-me nas minhas palavras, algo que me tende a ser estranho, mas que ganhaste o hábito de provocar em mim. Algo que não deixa de acontecer esta noite: os sentimentos amontoam-se e trepam-me pela garganta a cima até doer e precisar de te sentir por perto. De te abraçar.

  São sentimentos que reconheço em ambos, mas tão difíceis de explicar enquanto te olho nos olhos e a vontade de te confortar em silêncio ou em conversas em tom baixo sobe a cima de tudo o resto.

  Às vezes dou por mim com o desejo de ter um comando para o tempo. Fazer "fast forward" e chegar ao momento em que os desejos se irão realizar e as interrupções cessar, pelo menos por um pouco. Mal posso esperar pelo dia em que possamos pausar o tempo juntos e fixar-nos um ao outro enquanto adormecemos.

  É uma espécie de vício, este que tenho por ti. Um que faz com que se torne insuportável passar um dia inteiro sem ouvir a tua voz ou ver e sentir o teus beijos.

  Não é fácil, o caminho que temos seguido, e ambos sabemos o porquê, mas ambos nos comprometemos a lutar ao máximo, da melhor maneira que sabemos, por aquilo pelo que confiamos valer a pena lutar.

  Falei há pouco das perguntas que me fazes: "Porque é que dizes que sou diferente? Porque é que dizes que sou especial?". E claro, tento responder da melhor forma que sei: a trapalhona. Tentei explicar e acho que nem tu nem eu percebemos exactamente o que disse. Talvez agora, com o fundo de música e de fotografias nossas cheias de parvoeiras seja mais fácil decifrar o que provocas em mim.

  Desde o dia em que te conheci disse a mim mesmo que não ias ser mais uma. Que ali havia algo especial e, à medida que te fui conhecendo, mais ainda me apercebi disso. És simples em gostos e atitudes, mas única, e complexa em pensamentos e em sentimentos que às vezes ninguém sabe explicar, mas que me tiram a respiração.

  És a pessoa com quem todos os panos foram discutidos até ao núcleo. Quem me conheceu exactamente pelo que sou e não fugiu a sete pés por ser demasiado querido, maluco ou o que quer que seja que fosse que trouxeste ao de cima em mim. És a pessoa ao lado de quem quero contar histórias quando ambos tivermos a cabeça prateada. És a pessoa com quem a vergonha do que sou se perdeu e deu lugar a algo cru, real.

  És a pessoa com quem imaginei uma cama sob um céu estrelado e "florzinhas" a duplicar, à nossa volta.

  Perguntas-me porque és tão especial. Respondo-te que o és porque não importa a distância, não importam as discussões, não importam as tristezas, não importa o quão péssimo um dia tenha sido: um sorriso teu e uma palavra ou gesto de afecto vão sempre tornar-me o dia melhor.

  Se me perguntares o que vejo em ti, responder-te-ei que vejo um futuro, tal como o vês em mim. Se me perguntares o que vejo em nós, responderei que vejo uma vida a dois repleta de paz, tardes debaixo de mantas e de televisão acesa enquanto a chuva teima em esbarrar-se contra as nossas janelas. Não interessa o quão duro o caminho possa parecer até lá - tenho uma certeza que me cresce bem do fundo que diz que havemos de valer a pena.

  Podes perguntar-me se te entendo. Se percebo o porquê das tuas decisões a cada altura e não é ao primeiro tiro que as decifro, mas dá-me mais um e verás que os nossos poderes telepáticos se vão aguçar. Basta parar e pensar - talvez até falar alto comigo mesmo - e tudo encaixará exactamente nas "ranhuras" que fazem de ti quem és: a mulher que amo.


  Posso exemplificar com o saber que vais ficar a remoer o eu não ter dormido hoje. O ter ficado horas a escrever este texto enquanto escavo até ao meu fundo mais fundo para nos perceber melhor. Vais dar-me na cabeça, mas vou gostar que o faças e desejar por dentro que encontres alguma paz nas palavras que te escrevo.


  No fundo, entendo as paredes que crias. as protecções que nos queres colocar, como se o fizesses a uma criança que só queres ver crescer forte. É como se, dentro de ti, a intuição te dissesse que para crescer não se pode magoar e prometo ajudar-te a proteger o que é nosso. Talvez um dia a criança também o seja.

  Até lá vou fixando os olhos em ti, dizendo-te que és a mulher mais bonita do mundo, mesmo que não acredites em mim, porque o és para mim. Cada pormenor teu é como um pingo doce num copo de água que havia amargado. Cada sorriso que soltas, cada esbugalhar de olhos, cada palavra de divertimento ou preocupação é como uma brisa num dia quente, tal como espero que também o sejam as minhas. Cada curva tua, cada sinal, cada pedacinho de pele é como o pedaço mais fino de seda, feita de prazer. Cada parte de ti parece provir de desejos meus, lançados ao vento em desespero e trazidas de volta pelo rio doce que és. Como todos os rios, podes transbordar, causar inundações, mas basta que não haja tempestades para que acalmes também e fá-lo do modo mais realista possível.

  Não me demoro muito mais. Estou quase a dar por terminado este meu pequeno mar de palavras dirigidas a ti, mas quero relembrar-te daquilo que realmente interessa. Daquilo que faz de nós quem somos um para o outro e que me leva a noites destas, sem sono, quando preciso de nos decifrar: não há nada de que tenha mais certezas do que a vontade de crescer contigo, do que o desejo de criar o nosso cantinho, do que a felicidade de formar a nossa família, do que a paz que iremos sentir ao envelhecer juntos e do quanto o toque da tua raiz vai saber na minha.

  Até podermos começar, temos os objectos que nos são mais especiais onde nos segurar e os nossos encontros para matar um pouco as saudades, porque não sou nada sem ti e as certezas disso só aumentam. 

  Espero que sorrias pelo menos uma vez com tudo isto e, se não se perceber nada, não te culpes a ti, não me culpes a mim, não nos culpes a nós e não culpes a minha falta de sono. Culpa apenas o facto de, juntos, sermos algo raro no mundo.

                                                                        Do sempre teu
                                                                               Cocó Amestrado, Bicho Feio,
                                                                                     Idiota ou simplesmente Amor,
                                                                                            Com todo o que tenho por ti, 
                                                                                                            Francisco

P.S.: I love you!

sábado, 17 de setembro de 2016

O Que Somos e o Que Seremos

  Mais uma carta. Mais um pedaço de escrita que, pequeno ou gigante, se inspira em tudo o que somos juntos. Em tudo o que temos vivido e nos trouxe até aqui. Em tudo o que não consigo evitar ver em ti, mesmo quando sei que teimas no inverso. Carrancuda ou de sorriso envergonhado, hás-de teimar sempre e eu hei-de dizer-to sempre mais uma vez.
  
  Hoje quero escrever. Não porque já não o faça assim há uns tempos, mas porque há coisas que te quero dizer sem segredos, sem vontade de as esconder, sem que passem de mais um monte de palavras que parecem ser levadas pelo vento. Pois não o são, meu amor, e quero gravá-las em pedra..
  
  Não faço ideia se parte alguma do que vou escrever fará sentido, mas chego à conclusão que quanto mais tento racionalizar sentimentos ou vontades de falar, mais difícil se torna dizer o que quer que seja. Mais difícil se torna dizer-te o que quer que seja.
  
  Hoje escrevo sobre o que tem passado pela minha cabeça nas manhãs em que acordo e me deixo ficar a ouvir-te respirar. Nas noites em que te vejo usar todas as tuas forças para não adormecer.
  
  A verdade é que às vezes me perco em pensamentos sobre o presente e o futuro. Sobre o que somos e o que seremos e acabo a sorrir ao pensar em qualquer pequeno traço do que imagino contigo: numa qualquer pequena parvoeira que temos agora e que tem sabor a permanente. Acabo a sorrir com palavras que ficam na memória e que demonstram o quanto temos crescido juntos, mesmo quando o nosso castelo parece estremecer.
  
  E se estremece, meu amor, é nos momentos em que o faz - nos mais complicados da vida - que aprendemos o limite dos dois e onde chega a nossa vontade de um futuro de raízes enroladas e entrelaçadas umas nas outras. Onde chega a nossa vontade de tudo. A nossa vontade de que tudo seja real, e eu sei que essa é das partes mais complicadas, mas hei-de te provar em definitivo que não me trato apenas de uma miragem virtual, mas sim de alguém que te levará a dançar no meio da terra apenas para te levar ao cinema privado depois, com direito a pipocas que não garanto serem as melhores do mundo, mas que garanto serem as melhores de mim.
  
  Há coisas que se aprendem com o tempo. Coisas que já deves saber de mim sem que eu sequer as saiba e coisas que sei de ti que apenas os mais próximos têm o privilégio de saber. 
  
  Algo que aprendi de ti, é que ao longo da vida criaste uma concha protectora dos teus sentimentos e das tuas fragilidades. Algo que aprendeste sobre mim é que farei de tudo para te tirar de trás dessa concha e te mostrar que tenho uma maior em que podemos os dois caber. Basta aceitares as minhas parvoíces, as minhas histórias de criança inocente, as minhas brincadeiras trapalhonas e aceitares que existe pelo menos uma pessoa no mundo que passa as manhãs a pensar no quanto deseja que sejas tu,

  Passo-as assim, mesmo conhecendo os teus medos e fragilidades e juro-te que não me assuat saber que não é fácil. Sei que ás vezes o amor não é suficiente, mas tenho vindo a confiar no nosso um pouco mais de cada vez que te oiço contar-me das tuas aventuras ao cesto da roupa suja.
  
  Por agora termino  este desabafo. Vou olhando para a tua imagem enquanto adormeces e te destapas e acordas e te voltas a tapar. Por vergonha ou por frio, nada sabe tão bem como saber que estás "em casa comigo". Gostava de te poder ver os olhos e as feições relaxadas pelo sono, mas por agora contento-me com a tua respiração e o teu bater de coração.
  
  Despeço-me de ti com um "Até amanhã.". Talvez decidas responder-me às confissões em sonhos ou apenas no pensamento, mas se o fizeres dessa forma mantém em mente duas palavras que hão-de fazer sempre parte do nosso mundo: "Axf hmkjrgackjeg". Sinto-o mais que o mundo, meu amor.

                                                          Honestamente teu e só teu,
                                                                   Desejando-te só minha,
                                                                                     Francisco

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

História Que Hei-de Contar

  Mais um pedacinho de mim esparramado numa folha ou em centenas de ecrãs. Mais um pedacinho que começa com uma linha e se estende até a minha mão decidir parar. Até a vida decidir abandonar-me. Mas, até lá, hei-de continuar. Hei-de continuar a escrever o que o coração me dita e desejar que aceites o que sente.

  Já te contei que te escrevi antes. Escrevi-te palavras lançadas ao vento com esperança que alguém lhes seguisse o rasto enquanto eu procurava que nem um louco. Já te disse que esperava seres tu quem as tinha seguido e começámos bem, pelo teu gosto em lê-las, mas, depois de textos sem fim e de gestos que ficam marcados para a vida, fica sempre tanto por dizer. Por isso, meu amor, hoje quero dizê-lo tudo, demore o que demorar.

  Hoje acordei contigo, à nossa maneira. Disse bom dia e percebi que estavas já a pé e bem acordada. Falámos e ouvi-te sempre apressada mas confiante. Confiante que o dia te iria correr bem, porque amanhã seria outro melhor para os dois. Talvez te tenha eu contagiado com essa confiança, ou talvez fosse tua desde o início, o que é o mais provável, mas o que interessa é que era confiança em nós. Confiança traduzida da esperança no que estiver para vir amanhã. Confiança em saber que, o que quer que seja, vamos estar aqui, juntos. É uma viagem complicada, meu amor. Vai ser sempre, para qualquer "Maria" e qualquer "Manel" neste mundo que tenham encontrado o seu "Francisco" ou a sua "Mariana", mas ninguém disse que ia ser fácil e há milhares de ditados no mundo que provam que vale a pena perdurar. Há histórias e histórias contadas ao longo do tempo sobre isso, mas a que nos interessa é a que hei-de contar.

  " Há já um tempo que parece infinito, duas pessoas especiais encontraram-se num mundo que parecia interminável. Tiveram alguma ajuda, é claro, e não quero que pensem que se esqueceram de agradecer, mas foi tudo tão poético e perfeito que alguns diriam que foi destino e que eram feitos um para o outro.

  Entre as duas pessoas especiais foram feitas promessas em que ele lhe beijava a mão e ela lhe beijava as bochechas. Contaram segredos que mais ninguém alguma vez se atrevera a descobrir, ganharam confiança em tudo o que eram um para o outro e construíram o seu mundo juntos.
  O mundo tinha casinhas pequenas e aconchegadas onde viviam famílias em harmonia. Tinha florestas em que a inspiração pairava no ar, oceanos onde se nadava em possibilidades e cidades onde havia lojas em saldos todos os anos, todo o ano!

  No céu, ao final da tarde, todos os dias o sol se punha, deixando para trás um rasto de estrelas para serem observadas de camas em frente às janelas, sob promessas de amor e felicidade eternos.

  E assim foi crescendo o mundo que ambos criaram. Com o tempo fizeram-se promessas de vida e essa vida brotou em conjuntos de três flores em cada casinha. Três pequenas flores que foram sempre regadas com carinho, compreensão e uma pequena pitada de amor.

  As flores foram vivendo e crescendo até poderem viver por si, num mundo só seu. E o mundo voltou a ser um mundo de cantinhos de paz.

  De vez em quando criavam-se eventos divertidos para cada par de cada casinha dançar e cantar em conjunto e assim seguir a sua vida sem que alguma promessa feita alguma vez se quebrasse.

  Até que um dia o mundo foi deixado pelo par que o criara. No lugar da sua casinha, que era o centro desse mundo, cresceram apenas duas árvoresinhas com raízes encruzilhadas num sinal de infinito e folhas verdes que nunca caíram, que nunca amarelaram, que nunca morreram."

  Tenho a mão dorida, meu amor, mas o pensamento de ti atenua-me esta dor. Ambos sabemos que são só sonhos e promessas, mas são promessas que nunca me esquecerei de cumprir. Por ti. Por nós, e um dia há-de ser esta a história que vou contar às três florsinhas que correrem pelo nosso mundo fora. Não sei se a irão entender. Não sei se alguém mais a irá entender, mas a certeza de que tu o farás... a certeza de que a vais ler, talvez por entre soluços, e absorver cada palavra como se fosse a última, por mais minúscula que seja, é o que me faz saber que tudo estava certo. Que o que está dentro de mim e me garantiu que és quem quero nunca se deixará enganar. Nunca arredará pé da teimosia de que eu sou teu e tu és minha.

  Não tenho vergonha nem medo de jurar ao mundo que és a "Mariana" da minha vida e que, por mais que tenhamos que lutar, serei sempre o "Francisco" da tua.
  Até lá, deixo-te com um beijo nos lábios e uma promessa de amor eterno que vai dentro desse meu coração que levas nas mãos.


                      Do teu **** amestrado,
                              Com este amor que irás sempre reconhecer,

                                                                                          Francisco







terça-feira, 26 de julho de 2016

Para Sempre?

  Hoje tento ir por partes. O coração, teimoso, trapalhão e ansioso como de costume, quer dizer-te tudo ao mesmo tempo e as mãos, as pobres das mãos, sempre sem saber por onde começar. Mas hoje tentar-lhes-ei facilitar o trabalho com um pouco mais de organização.

  Hoje quero falar-te de ti, meu amor. Hoje quero falar-te desse teu sorriso doce, desse teu abraço quente, desse teu beijo viciante e de todas as maneiras que arranjas de me fazer tremer e soltar palavras que, por causa da minha fragilidade quando o assunto és tu, já conheces pelo nome próprio.

  É sempre complicado começar, mas depois de tudo, meu amor, juro-te que nunca pensei que isto me fosse acontecer. Que um dia o ar voltar-me-ia a ser roubado, e que maneira de o fazeres, tão única e inesperada. Juro-te que pensei que a minha vida fosse ficar pela monotonia de algum trabalho comum que viesse a arranjar e muito pouco mais na direcção daquilo que um romântico como eu pode desejar. Mas aconteceste tu. Apareceste do nada como um sol escaldante depois da previsão para chuvas e eu fui apanhado de corta vento! Agarraste-me pelo coração, apertaste-o com a força do sol contra o teu e nunca mais aceitaste perdê-lo de vista.

  E agora tenho a vida completamente revirada. Não que não a queira assim. Quero-a assim mais do que alguma vez possas imaginar, mas entende que já me estava a habituar à ideia de uma vida monótona, só com a graça que o meu ser lhe conseguisse dar. Entende que me transformaste no ser que me habituei a pensar não existir. entende que és um vício dos melhores que a vida tem para oferecer.

  De início nem sabia o que eras! Algo estranho. Mais um sentimento, mais uma iniciativa que esperava, por regra da experiência, ver saír furada. Talvez só com um furo diferente. Um desejo medroso, um "Olá" nervoso e um roer de unhas que se deixou evoluir para um quase comer de dedos depois das primeiras palavras trocadas. Um bater de coração que aumentou a cada nova palavra e que foi decifrando, bocadinho a bocadinho, aquilo que, como parvo céptico, me queria recusar a ver.

  Passaram-se mais nervosos miudinhos, mais medos de que a conversa desmaiasse por falta de alimento meu, mas lá disse ao meu coração que aguentasse mais um bocadinho. Motivei-o com os teus risos e sorrisos, com os teus olhares e desolhares, e garantindo-lhe que um dia todas as tuas curvas e os teus cantos lhe iriam pertencer. Todos os teus olhares envergonhados, todos os teus beijos doces, todos os teus sorrisos calmantes. Inconscientemente, meu amor, prometi-me que serias minha e agora tenho um pedido, só um pedido para ti.

  Por cada sorriso que te faço soltar, por cada batimento de felicidade que te faço sentir quando nos envolvemos no mais leve toque de cumplicidade entre os lábios um do outro. Por cada vez que to peço em segredo, peço-to agora em gritos que hão-de invadir o mundo.

  Meu amor, se for teu para sempre, serás minha também?

                                                          Honestamente teu,
                                                                                    Francisco

  P.S.: Amo-te!
 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A Culpa Não Foi Minha!

  Há textos tão difíceis de começar que um parvo como o que sou tem que começar pelo quão difícil é escrever sobre ti. Não por não haver nada para dizer e certamente não pelo que tenho a dizer ser pouco. Juro que não.
  A dificuldade encontro-a no facto mais simples do mundo: gosto de ti! Algo tão simples de se dizer e tão complicado de se explicar para alguém como eu, que caiu no erro de escrever com o coração. Segundo cérebro mais parvo e com a mania dos devaneios que o meu não poderia haver
  O facto é esse, bonequinha: ele gostou de ti e não há volta a dar-lhe. Juro que não fui eu! A culpa não foi minha! A culpa foi dos meus olhos, que desde o início optaram por não te ignorar. A culpa foi dos meus ouvidos, que acharam por bem encantar-se com o som da tua voz. A culpa foi do meu nariz, que ganhou o vício do teu cheiro, das minhas mãos, que se apaixonaram pelo toque suave do teu cabelo. A culpa foi dos meus lábios, que sempre se recusaram a abandonar os teus.
  A culpa foi do teu sorriso, que se rasgou de orelha a orelha sempre desde que me viste. A culpa foi do teu olhar doce e das tuas caras de cachorrinha zangada. A culpa foi do teu abraço, que nunca me quis deixar partir.
  No meio disso tudo... apaixonei-me. O meu coração fechou ao público e antes que o conseguisse controlar obrigou a minha boca a dizer a palavra proibida. "Amo-te". Mas podemos culpar-me por isso? Não. A culpa não foi minha!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

A Estrada da Floresta

  "O túnel de árvores frente à pequena ponte que servia de entrada para os bosques apresentava um ambiente mais escuro do que o da vila, o que provocava um indício de temor nos irmãos. No entanto estes recusavam-se a arrepiar caminho.
  - O que achas de prestarmos uma visita à vila do fundo da montanha? - sugeriu Rafael. - Pode ser que lá tenham visto alguém estranho.
  - É possível que lá encontremos respostas, mas até lá mantém-te alerta.
  Agora Michael recusava-se a manter o olhar na estrada. Em vez disso ordenou ao cavalo que acelerasse o passo e ia olhando em todas as direcções.
  - Algo nos segue - disse.
  O coração do irmão ia-lhe saltando pela boca. Apertou a rédeas com mais força e, tal como Michael, não conseguia evitar fixar todas as árvores como se cada uma os fosse matar.
  - Se forem os cães? - perguntou Rafael.
  O pânico começava a tomar conta dele.
  - Há quanto tempo deixámos a vila? - questionou Michael.
  Rafael ia responder quando a sua barriga lhe deu sinal. Antes de falar ele manteve os olhos no seu tronco.
  - Deve ser perto da hora do almoço. Saímos há mais de três horas - informou.
  - Estamos longe o suficiente...
   O medo de Rafael, que outrora o levaria a tremores e imobilidade, levava-lhe agora a mão ao arco buscando conforto. Parecia estar a adivinhar o que estava para vir.
  - Longe o suficiente para quê?
  - Para outro ataque.
  Michael começara a assumir posição segurança preparando-se para o galope do cavalo quando uma nesga de movimento se fez notar ao longe, no meio da vegetação.
  - Larga o arco - segredou. Rafael seguia ao seu lado e libertou a haste de madeira de imediato. - Prepara-te para fugir.
  Esta opção era sem dúvida a que mais agradava ao irmão mais novo. Este aproximou também o tronco às costas do cavalo e apertou as rédeas com as duas mãos e toda a sua força.
  - Quando qui... - começou Rafael.
  Um assobio alto interrompeu a sua frase seguido por uma flecha que lhe rasou o nariz e o fez desequilibrar-se para trás. De repente tudo começou."

domingo, 6 de março de 2016

A Boca de Gruta

  
Pouco depois os quatro voltavam à entrada da mansão, atravessando os corredores e descendo a escadaria. Já havia pouca gente no jardim quando se aventuraram pelas grandes portas da casa, e quem ainda lá se encontrava já lhes virava costas para seguir o caminho até casa.
  O mesmo foi o que fizeram. Andaram estrada fora até aos portões de ferro tomando depois uma esquerda, mesmo antes de alcançarem a vila, embrenhando-se nos bosques. Eva, que agora envergava um vestido branco como lhe era costume, ia-se queixando de cada vez que um raminho seco rasteiro lhe picava as pernas.
  - Ah! Caramba! - gritou de repente Rafael, que tinha acabado de tropeçar num conjunto de raízes.
  - Sempre o mesmo! - troçou Gabriel, que seguia um pouco à frente.
  - Está calado!
  - Shiu! - sibilou Eva, torcendo o tronco na direcção dos dois com o dedo indicador atravessado à frente dos lábios.
  - Epah! Já não se pode tropeçar, também! - segredou Rafael com cara de ofendido.
  - Eva liderava o caminho. Todos viam por onde caminhavam, mas deixavam a liderança dos passeios nocturnos pela floresta por conta dela. Se eles sabiam onde tudo ficava, chegava a saber quais os ramos que não deviam pisar!
  Era noite cerrada quando chegaram ao local: uma boca de caverna cheia de um vazio frio e assustador que lhes demonstrava um pouco do terror do desconhecido. Especialmente a Rafael!
  - Não temos que entrar, pois não? - perguntou em tom de súplica.
  - Não - respondeu Eva -, não te preocupes.
  - Então porque é que viemos até aqui? - indagou Gabriel.
  Eva respirou bem fundo o ar da noite.
  - O meu pai falava-me deste sítio. Contava-me histórias sobre a caverna e dizia-me que um dia havia de precisar dela, mas nunca me explicava para quê. Talvez nem ele o soubesse, mas acho que hoje é o motivo - disse.
  À sua volta o ambiente estava calmo, silencioso, como se todos os sons da noite se tivessem sustido de modo a que a noite se tornasse ainda mais fantástica. Ouvia-se apenas o vento calmo e frio como a morte,
  - Pelo menos um deles - completou enquanto enfrentava Michael.
  Ali formava-se um pequeno intervalo na folhagem das árvores, por isso a luz do luar ainda lhes permitia um pouco de visão. A suficiente para que não se sentassem em nenhum calhau bicudo.
  - E agora? - perguntou Michael.
  A curiosidade que sentia ia crescendo lado a lado com o receio, embora não o demonstrasse - nada o faria parecer-se menos destemido que o pai, mas o sonho daquela manhã continuava a apertar-lhe o nó que sentia na garganta.
  Um leve toque nas mãos trouxe-o de volta à realidade. De repente era como se estivesse de volta àquela manhã, no casamento.
  Distraidamente, Eva acenou-lhes:
  - Sentem-se... - sugeriu aos outros dois irmãos - ainda demoramos um bocadinho.
  Sem nunca questionar, os irmãos obedeceram enquanto Eva e Michael, noiva e noivo, se preparavam para atravessar mais uma cerimónia. 
  A mulher sorriu e voltou a fixar Michael nos olhos. Depois fechou os seus e começou num sibilar que, como de costume, nenhum dos irmãos conseguia entender. Ela com certeza nunca demonstrara qualquer interesse em ensinar-lhes aquela sua linguagem, mas Gabriel retribuía esse interesse, a Rafael a linguagem assustava e Michael limitava-se a deixá-la às suas magias e segredos.
  - O que é que achas que é isto? - segredou Rafael.
  - Não sei. Cala-te! - respondeu Gabriel.
  - Quero saber!
  - Eu não quero saber mais... - soltou Gabriel elevando o braço direito à altura dos olhos do irmão mais novo, o qual exibia uma enorme e irregular cicatriz.
  Rafael engoliu em seco, relembrando o medo que sentia em relação a tudo o que envolvia feitiço e voltou a fitar em silêncio as figuras unidas de Michael e Eva.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Lembranças

  "De repente encontrava-se numa clareira. Perecia-lhe familiar mas não sabia porquê, por isso limitava-se a olhar a toda a sua volta sem se mexer do sítio. Tudo era peculiarmente bonito e os últimos anos tinham-lhe ensinado que tal não podia ser bom sinal, por isso mantinha-se desconfiado e alerta.
  Foi ao fim da terceira volta sobre se mesmo que deu por um pedaço de pedra espetada no chão a cerca de três metros de si. Primeiro não percebeu bem o que era. Pareceu nem sequer ter significado, mas foi quando no seu pensamento a pedra se definiu como sendo uma lápide, que os seus pensamentos foram inundados por memórias: uma espada afundada no peito, três corpos num chão frio, dias de tristeza profunda e meses a preparar o lugar do qual fariam o mais bonito do mundo.
  E ali estava ele: uma clareira completamente rodeada por árvores densas de um verde mais fresco que uma manhã de geada, repletas de flores vermelhas e rosadas que pareciam arder ao toque do sol, que entrava directamente pelo centro da clareira e se espalhava sobre tudo o que ali havia, incluindo a lápide na qual agora se conseguiam distinguir pequenos conjuntos de letras clássicas. Letras essas que davam nome às duas pessoas que ali se deitariam para a eternidade.

"Aqui Jazem William e Muriel.
Pais Queridos e Amantes Eternos."

  Palavras que se liam como a mais pura das verdades e que desenharam de imediato um sorriso incontrolável entre as bochechas de Michael. Sorriso esse que veio acompanhado de um toque ao de leve no seu braço. Um toque que, com o tempo, se tinha tornado no mais familiar que conhecia." 




Estive ausente durante uns tempos pelos meu próprios motivos, mas aqui está o início do resto da aventura pela qual tantos leitores ansiavam :) espero que gostem deste pequeno começo e dos que estão para vir. Mais uma vez, como não posso deixar de lembrar, comentem e partilhem e essas coisas todas!