terça-feira, 26 de julho de 2016

Para Sempre?

  Hoje tento ir por partes. O coração, teimoso, trapalhão e ansioso como de costume, quer dizer-te tudo ao mesmo tempo e as mãos, as pobres das mãos, sempre sem saber por onde começar. Mas hoje tentar-lhes-ei facilitar o trabalho com um pouco mais de organização.

  Hoje quero falar-te de ti, meu amor. Hoje quero falar-te desse teu sorriso doce, desse teu abraço quente, desse teu beijo viciante e de todas as maneiras que arranjas de me fazer tremer e soltar palavras que, por causa da minha fragilidade quando o assunto és tu, já conheces pelo nome próprio.

  É sempre complicado começar, mas depois de tudo, meu amor, juro-te que nunca pensei que isto me fosse acontecer. Que um dia o ar voltar-me-ia a ser roubado, e que maneira de o fazeres, tão única e inesperada. Juro-te que pensei que a minha vida fosse ficar pela monotonia de algum trabalho comum que viesse a arranjar e muito pouco mais na direcção daquilo que um romântico como eu pode desejar. Mas aconteceste tu. Apareceste do nada como um sol escaldante depois da previsão para chuvas e eu fui apanhado de corta vento! Agarraste-me pelo coração, apertaste-o com a força do sol contra o teu e nunca mais aceitaste perdê-lo de vista.

  E agora tenho a vida completamente revirada. Não que não a queira assim. Quero-a assim mais do que alguma vez possas imaginar, mas entende que já me estava a habituar à ideia de uma vida monótona, só com a graça que o meu ser lhe conseguisse dar. Entende que me transformaste no ser que me habituei a pensar não existir. entende que és um vício dos melhores que a vida tem para oferecer.

  De início nem sabia o que eras! Algo estranho. Mais um sentimento, mais uma iniciativa que esperava, por regra da experiência, ver saír furada. Talvez só com um furo diferente. Um desejo medroso, um "Olá" nervoso e um roer de unhas que se deixou evoluir para um quase comer de dedos depois das primeiras palavras trocadas. Um bater de coração que aumentou a cada nova palavra e que foi decifrando, bocadinho a bocadinho, aquilo que, como parvo céptico, me queria recusar a ver.

  Passaram-se mais nervosos miudinhos, mais medos de que a conversa desmaiasse por falta de alimento meu, mas lá disse ao meu coração que aguentasse mais um bocadinho. Motivei-o com os teus risos e sorrisos, com os teus olhares e desolhares, e garantindo-lhe que um dia todas as tuas curvas e os teus cantos lhe iriam pertencer. Todos os teus olhares envergonhados, todos os teus beijos doces, todos os teus sorrisos calmantes. Inconscientemente, meu amor, prometi-me que serias minha e agora tenho um pedido, só um pedido para ti.

  Por cada sorriso que te faço soltar, por cada batimento de felicidade que te faço sentir quando nos envolvemos no mais leve toque de cumplicidade entre os lábios um do outro. Por cada vez que to peço em segredo, peço-to agora em gritos que hão-de invadir o mundo.

  Meu amor, se for teu para sempre, serás minha também?

                                                          Honestamente teu,
                                                                                    Francisco

  P.S.: Amo-te!
 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A Culpa Não Foi Minha!

  Há textos tão difíceis de começar que um parvo como o que sou tem que começar pelo quão difícil é escrever sobre ti. Não por não haver nada para dizer e certamente não pelo que tenho a dizer ser pouco. Juro que não.
  A dificuldade encontro-a no facto mais simples do mundo: gosto de ti! Algo tão simples de se dizer e tão complicado de se explicar para alguém como eu, que caiu no erro de escrever com o coração. Segundo cérebro mais parvo e com a mania dos devaneios que o meu não poderia haver
  O facto é esse, bonequinha: ele gostou de ti e não há volta a dar-lhe. Juro que não fui eu! A culpa não foi minha! A culpa foi dos meus olhos, que desde o início optaram por não te ignorar. A culpa foi dos meus ouvidos, que acharam por bem encantar-se com o som da tua voz. A culpa foi do meu nariz, que ganhou o vício do teu cheiro, das minhas mãos, que se apaixonaram pelo toque suave do teu cabelo. A culpa foi dos meus lábios, que sempre se recusaram a abandonar os teus.
  A culpa foi do teu sorriso, que se rasgou de orelha a orelha sempre desde que me viste. A culpa foi do teu olhar doce e das tuas caras de cachorrinha zangada. A culpa foi do teu abraço, que nunca me quis deixar partir.
  No meio disso tudo... apaixonei-me. O meu coração fechou ao público e antes que o conseguisse controlar obrigou a minha boca a dizer a palavra proibida. "Amo-te". Mas podemos culpar-me por isso? Não. A culpa não foi minha!