sexta-feira, 19 de agosto de 2016

História Que Hei-de Contar

  Mais um pedacinho de mim esparramado numa folha ou em centenas de ecrãs. Mais um pedacinho que começa com uma linha e se estende até a minha mão decidir parar. Até a vida decidir abandonar-me. Mas, até lá, hei-de continuar. Hei-de continuar a escrever o que o coração me dita e desejar que aceites o que sente.

  Já te contei que te escrevi antes. Escrevi-te palavras lançadas ao vento com esperança que alguém lhes seguisse o rasto enquanto eu procurava que nem um louco. Já te disse que esperava seres tu quem as tinha seguido e começámos bem, pelo teu gosto em lê-las, mas, depois de textos sem fim e de gestos que ficam marcados para a vida, fica sempre tanto por dizer. Por isso, meu amor, hoje quero dizê-lo tudo, demore o que demorar.

  Hoje acordei contigo, à nossa maneira. Disse bom dia e percebi que estavas já a pé e bem acordada. Falámos e ouvi-te sempre apressada mas confiante. Confiante que o dia te iria correr bem, porque amanhã seria outro melhor para os dois. Talvez te tenha eu contagiado com essa confiança, ou talvez fosse tua desde o início, o que é o mais provável, mas o que interessa é que era confiança em nós. Confiança traduzida da esperança no que estiver para vir amanhã. Confiança em saber que, o que quer que seja, vamos estar aqui, juntos. É uma viagem complicada, meu amor. Vai ser sempre, para qualquer "Maria" e qualquer "Manel" neste mundo que tenham encontrado o seu "Francisco" ou a sua "Mariana", mas ninguém disse que ia ser fácil e há milhares de ditados no mundo que provam que vale a pena perdurar. Há histórias e histórias contadas ao longo do tempo sobre isso, mas a que nos interessa é a que hei-de contar.

  " Há já um tempo que parece infinito, duas pessoas especiais encontraram-se num mundo que parecia interminável. Tiveram alguma ajuda, é claro, e não quero que pensem que se esqueceram de agradecer, mas foi tudo tão poético e perfeito que alguns diriam que foi destino e que eram feitos um para o outro.

  Entre as duas pessoas especiais foram feitas promessas em que ele lhe beijava a mão e ela lhe beijava as bochechas. Contaram segredos que mais ninguém alguma vez se atrevera a descobrir, ganharam confiança em tudo o que eram um para o outro e construíram o seu mundo juntos.
  O mundo tinha casinhas pequenas e aconchegadas onde viviam famílias em harmonia. Tinha florestas em que a inspiração pairava no ar, oceanos onde se nadava em possibilidades e cidades onde havia lojas em saldos todos os anos, todo o ano!

  No céu, ao final da tarde, todos os dias o sol se punha, deixando para trás um rasto de estrelas para serem observadas de camas em frente às janelas, sob promessas de amor e felicidade eternos.

  E assim foi crescendo o mundo que ambos criaram. Com o tempo fizeram-se promessas de vida e essa vida brotou em conjuntos de três flores em cada casinha. Três pequenas flores que foram sempre regadas com carinho, compreensão e uma pequena pitada de amor.

  As flores foram vivendo e crescendo até poderem viver por si, num mundo só seu. E o mundo voltou a ser um mundo de cantinhos de paz.

  De vez em quando criavam-se eventos divertidos para cada par de cada casinha dançar e cantar em conjunto e assim seguir a sua vida sem que alguma promessa feita alguma vez se quebrasse.

  Até que um dia o mundo foi deixado pelo par que o criara. No lugar da sua casinha, que era o centro desse mundo, cresceram apenas duas árvoresinhas com raízes encruzilhadas num sinal de infinito e folhas verdes que nunca caíram, que nunca amarelaram, que nunca morreram."

  Tenho a mão dorida, meu amor, mas o pensamento de ti atenua-me esta dor. Ambos sabemos que são só sonhos e promessas, mas são promessas que nunca me esquecerei de cumprir. Por ti. Por nós, e um dia há-de ser esta a história que vou contar às três florsinhas que correrem pelo nosso mundo fora. Não sei se a irão entender. Não sei se alguém mais a irá entender, mas a certeza de que tu o farás... a certeza de que a vais ler, talvez por entre soluços, e absorver cada palavra como se fosse a última, por mais minúscula que seja, é o que me faz saber que tudo estava certo. Que o que está dentro de mim e me garantiu que és quem quero nunca se deixará enganar. Nunca arredará pé da teimosia de que eu sou teu e tu és minha.

  Não tenho vergonha nem medo de jurar ao mundo que és a "Mariana" da minha vida e que, por mais que tenhamos que lutar, serei sempre o "Francisco" da tua.
  Até lá, deixo-te com um beijo nos lábios e uma promessa de amor eterno que vai dentro desse meu coração que levas nas mãos.


                      Do teu **** amestrado,
                              Com este amor que irás sempre reconhecer,

                                                                                          Francisco







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