quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Porquê De Para Mim Assim o Seres

  Hoje é uma noite em claro. Uma noite em que não prego olho ao pensar em tudo. Todos os pormenores do teu rosto, todos os pequenos sorrisos e beijos que soltas quando entramos nos nossos pedacinhos. Todas as conversas e todos os recantos do teu ser. Do nosso ser.

  Tinha saudades de escrever para ti - de escrever sobre ti. De soltar tudo o que cá vai dentro. Tudo o que me faz sorrir e estremecer enquanto te vejo e me passa pelo pensamento a vontade de, um dia, me ajoelhar perante ti.

  De vez em quando perguntas-me o porquê. O porquê de te chamar especial e de te ver diferente, e cada vez que tento explicar deixo que saibas um motivo diferente. Baralho-me nas minhas palavras, algo que me tende a ser estranho, mas que ganhaste o hábito de provocar em mim. Algo que não deixa de acontecer esta noite: os sentimentos amontoam-se e trepam-me pela garganta a cima até doer e precisar de te sentir por perto. De te abraçar.

  São sentimentos que reconheço em ambos, mas tão difíceis de explicar enquanto te olho nos olhos e a vontade de te confortar em silêncio ou em conversas em tom baixo sobe a cima de tudo o resto.

  Às vezes dou por mim com o desejo de ter um comando para o tempo. Fazer "fast forward" e chegar ao momento em que os desejos se irão realizar e as interrupções cessar, pelo menos por um pouco. Mal posso esperar pelo dia em que possamos pausar o tempo juntos e fixar-nos um ao outro enquanto adormecemos.

  É uma espécie de vício, este que tenho por ti. Um que faz com que se torne insuportável passar um dia inteiro sem ouvir a tua voz ou ver e sentir o teus beijos.

  Não é fácil, o caminho que temos seguido, e ambos sabemos o porquê, mas ambos nos comprometemos a lutar ao máximo, da melhor maneira que sabemos, por aquilo pelo que confiamos valer a pena lutar.

  Falei há pouco das perguntas que me fazes: "Porque é que dizes que sou diferente? Porque é que dizes que sou especial?". E claro, tento responder da melhor forma que sei: a trapalhona. Tentei explicar e acho que nem tu nem eu percebemos exactamente o que disse. Talvez agora, com o fundo de música e de fotografias nossas cheias de parvoeiras seja mais fácil decifrar o que provocas em mim.

  Desde o dia em que te conheci disse a mim mesmo que não ias ser mais uma. Que ali havia algo especial e, à medida que te fui conhecendo, mais ainda me apercebi disso. És simples em gostos e atitudes, mas única, e complexa em pensamentos e em sentimentos que às vezes ninguém sabe explicar, mas que me tiram a respiração.

  És a pessoa com quem todos os panos foram discutidos até ao núcleo. Quem me conheceu exactamente pelo que sou e não fugiu a sete pés por ser demasiado querido, maluco ou o que quer que seja que fosse que trouxeste ao de cima em mim. És a pessoa ao lado de quem quero contar histórias quando ambos tivermos a cabeça prateada. És a pessoa com quem a vergonha do que sou se perdeu e deu lugar a algo cru, real.

  És a pessoa com quem imaginei uma cama sob um céu estrelado e "florzinhas" a duplicar, à nossa volta.

  Perguntas-me porque és tão especial. Respondo-te que o és porque não importa a distância, não importam as discussões, não importam as tristezas, não importa o quão péssimo um dia tenha sido: um sorriso teu e uma palavra ou gesto de afecto vão sempre tornar-me o dia melhor.

  Se me perguntares o que vejo em ti, responder-te-ei que vejo um futuro, tal como o vês em mim. Se me perguntares o que vejo em nós, responderei que vejo uma vida a dois repleta de paz, tardes debaixo de mantas e de televisão acesa enquanto a chuva teima em esbarrar-se contra as nossas janelas. Não interessa o quão duro o caminho possa parecer até lá - tenho uma certeza que me cresce bem do fundo que diz que havemos de valer a pena.

  Podes perguntar-me se te entendo. Se percebo o porquê das tuas decisões a cada altura e não é ao primeiro tiro que as decifro, mas dá-me mais um e verás que os nossos poderes telepáticos se vão aguçar. Basta parar e pensar - talvez até falar alto comigo mesmo - e tudo encaixará exactamente nas "ranhuras" que fazem de ti quem és: a mulher que amo.


  Posso exemplificar com o saber que vais ficar a remoer o eu não ter dormido hoje. O ter ficado horas a escrever este texto enquanto escavo até ao meu fundo mais fundo para nos perceber melhor. Vais dar-me na cabeça, mas vou gostar que o faças e desejar por dentro que encontres alguma paz nas palavras que te escrevo.


  No fundo, entendo as paredes que crias. as protecções que nos queres colocar, como se o fizesses a uma criança que só queres ver crescer forte. É como se, dentro de ti, a intuição te dissesse que para crescer não se pode magoar e prometo ajudar-te a proteger o que é nosso. Talvez um dia a criança também o seja.

  Até lá vou fixando os olhos em ti, dizendo-te que és a mulher mais bonita do mundo, mesmo que não acredites em mim, porque o és para mim. Cada pormenor teu é como um pingo doce num copo de água que havia amargado. Cada sorriso que soltas, cada esbugalhar de olhos, cada palavra de divertimento ou preocupação é como uma brisa num dia quente, tal como espero que também o sejam as minhas. Cada curva tua, cada sinal, cada pedacinho de pele é como o pedaço mais fino de seda, feita de prazer. Cada parte de ti parece provir de desejos meus, lançados ao vento em desespero e trazidas de volta pelo rio doce que és. Como todos os rios, podes transbordar, causar inundações, mas basta que não haja tempestades para que acalmes também e fá-lo do modo mais realista possível.

  Não me demoro muito mais. Estou quase a dar por terminado este meu pequeno mar de palavras dirigidas a ti, mas quero relembrar-te daquilo que realmente interessa. Daquilo que faz de nós quem somos um para o outro e que me leva a noites destas, sem sono, quando preciso de nos decifrar: não há nada de que tenha mais certezas do que a vontade de crescer contigo, do que o desejo de criar o nosso cantinho, do que a felicidade de formar a nossa família, do que a paz que iremos sentir ao envelhecer juntos e do quanto o toque da tua raiz vai saber na minha.

  Até podermos começar, temos os objectos que nos são mais especiais onde nos segurar e os nossos encontros para matar um pouco as saudades, porque não sou nada sem ti e as certezas disso só aumentam. 

  Espero que sorrias pelo menos uma vez com tudo isto e, se não se perceber nada, não te culpes a ti, não me culpes a mim, não nos culpes a nós e não culpes a minha falta de sono. Culpa apenas o facto de, juntos, sermos algo raro no mundo.

                                                                        Do sempre teu
                                                                               Cocó Amestrado, Bicho Feio,
                                                                                     Idiota ou simplesmente Amor,
                                                                                            Com todo o que tenho por ti, 
                                                                                                            Francisco

P.S.: I love you!